Com 62,5 mil homicídios, Brasil bate recorde de mortes violentas

Três pessoas morreram e 5 ficaram feridas em uma chacina em Osasco (SP) em 2012
O Brasil registrou a marca histórica de 62.517 mortes violentas intencionais em 2016 e, pela primeira vez na história, superou o patamar de 30 homicídios a cada 100 mil habitantes. Os dados são do Ministério da Saúde e fazem parte do Atlas da Violência 2018, divulgado nesta terça-feira (5) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Em 2016, o país registrou uma taxa de 30,3 mortes intencionais por cada 100 mil habitantes --em 2015, esse índice foi de 28,9. Até então, a maior taxa já medida no Brasil tinha sido registrada em 2014, quando alcançou 29,8 mortes intencionais por 100 mil habitantes.
O Atlas traz dados de 2006 a 2016, último ano com dados disponíveis para o levantamento. Nesse período, 553 mil pessoas foram mortas de forma violenta no país, o que inclui assassinatos, latrocínios e morte em decorrência de intervenção policial. No período, os homicídios cresceram 13,9%.
Notificações de estupro dobram em 5 anos; 50% dos casos envolvem crianças
Taxa de homicídios de negros cresce 26% em 10 anos; mortes de brancos caem
De acordo com o levantamento, 71,5% das pessoas que foram assassinadas no país em 2016 eram pretas ou pardas. O estudo revela que, em 2016, a população negra registrou taxa de homicídios de 40,2 mortes por 100 mil habitantes. O mesmo indicador para brancos, amarelos e indígenas foi de 16 mortes por 100 mil habitantes.
Sergipe lidera taxa de assassinatos
Como vem ocorrendo desde o final da década passada, os dados voltaram a mostrar que a situação é mais grave nos estados das regiões Nordeste e Norte. Sergipe foi o estado com maior taxa: 64,7 mortes por 100 mil --o dobro do índice nacional, seguido por Alagoas (54,2) e Rio Grande do Norte (53,4).
"Em 10 anos, todos os estados com crescimento superior a 80% nas taxas de homicídios pertenciam ao Norte e ao Nordeste", aponta o levantamento. Entre os dez estados mais violentos, seis pertencem ao Nordeste e quatro à região Norte.
Veja o ranking com as maiores taxas de homicídio por 100 mil habitantes:
Sergipe - 64,7
Alagoas - 54,2
Rio Grande do Norte - 53,4
Pará - 50,8
Amapá - 48,7
Pernambuco - 47,3
Bahia - 46,9
Acre - 44,4
Ceará - 40,6
Roraima - 39,7
Já os estados com os menores índices de mortes violentas foram São Paulo (10,9), Santa Catarina (14,2) e Piauí (21,8).
Mais da metade dos mortos são jovens
O grande aumento de mortes no Brasil entre 2006 e 2016 pode ser explicado pela violência contra jovens. Em 2016, 33.590 pessoas entre 15 e 29 anos foram assassinados --o que representa um aumento de 7,4% em relação ao ano anterior. "Assim, a taxa média de homicídios de jovens homens no Brasil salta para 122,6 por grupo de 100 mil", aponta o levantamento.
Considerando a década 2006-2016, o Atlas afirma que houve aumento de 23,3% no número de vítimas nessa faixa etária. O caso mais grave ocorreu no Rio Grande do Norte, onde houve uma alta 382% entre 2006 e 2016.
Um dado que chamou a atenção da mortalidade juvenil é a participação do homicídio como causa de mortalidade masculina. Dos jovens mortos, 94,6% do sexo masculino. Entre jovens de 15 a 29 anos, 50,3% do total de óbitos era causado por violência. Se reduzirmos a faixa e considerarmos apenas os homens entre 15 e 19 anos, esse indicador chega a 56,5%.
A taxa de violência, porém, aponta para diferenças regionais marcantes. "Em 2016, as taxas variaram de 19 homicídios por grupo de 100 mil jovens no Estado de São Paulo, até 142,7 em Sergipe, sendo a taxa média do país de 65,5 jovens mortos por cada grupo de 100 mil", segundo o Atlas. Se comparados apenas jovens do sexo masculino entre 15 e 29 anos, Sergipe registra a taxa mais elevada entre todos os estratos feitos, de 280,6 por cada 100 mil habitantes.
Causa indeterminada
O Atlas chama a atenção ainda para a qualidade dos dados informados. Ele cita como exemplo a proporção de mortes violentas por causas indeterminadas na contagem total dessas mortes. Há casos como Minas Gerais (11% do total de mortes violentas tem causa indeterminada), Bahia (10,8%) e São Paulo (10,2%), onde pelo menos uma em cada 10 mortes não tem determinação de causa e ficam à margem dos dados oficiais.
"A análise sobre as taxas de homicídios registrados nesses estados inspira cautela, uma vez que a proporção de MVCI em relação ao total de homicídios assumiu patamares elevados, o que implica dizer que, provavelmente, os registros oficiais de homicídios nesses estados estejam subestimados", afirma o estudo.


Comentários
Postar um comentário
Deixe o seu comentário, sugestão ou opinião. A sua mensagem será respondida o mais breve possível!!! 😛😛😛
Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam necessariamente a opinião do Saco Cheio. É vetada a postagem de conteúdos que violem a lei ou os direitos de terceiros.